Depois de anos concentrados na própria operação, tentando dar conta de decisões estratégicas, financeiras e de equipe sozinhos, empresários brasileiros começam a admitir um problema que raramente aparece nas conversas sobre gestão: a solidão. Mesmo cercados por clientes, fornecedores e funcionários, muitos líderes relatam não ter com quem dividir os desafios mais difíceis do negócio.
Pesquisa do Itaú Empresas em parceria com o Instituto Locomotiva, batizada de "Cabeça de Dono", identificou que 57% dos líderes de pequenas e médias empresas no Brasil sentem falta de conexão com outros gestores. O levantamento também aponta que 52% relatam impactos na saúde física e mental causados pela rotina intensa de gestão, reflexo de uma jornada em que decisões importantes costumam ser tomadas sem uma rede de apoio para validar ideias ou compartilhar responsabilidades.
Para Rodrigo Monteiro, idealizador do Clube CDC, o dado revela um problema estrutural do empreendedorismo brasileiro. "O empresário aprende a resolver tudo sozinho porque, no começo, não tem escolha. A questão é que muitos carregam esse hábito para sempre, mesmo quando a empresa já tem porte para exigir outro tipo de apoio. Acaba que a solidão vira rotina", afirma.






