Por Taise Borges

O varejo aproveitou a onda de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e saiu lucrando. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só no mês de março, quatro dos dez segmentos do varejo sofreram impacto positivo em comparação com o mesmo período do ano passado. O seguimento de vestuário e calçados, por exemplo, registrou alta de 11,7% nas vendas – maior aumento desde fevereiro de 2011. No segmento de móveis e eletrodomésticos, houve alta de 10,5% – taxa que não se observava desde julho de 2013. As vendas de materiais de construção registraram crescimento de 9,4% – não subiam tanto desde fevereiro de 2014. Até o setor de farmácias, perfumarias e cosméticos foi beneficiado: a queda nas vendas observada em março (1,8%) foi a menor dos últimos meses.
Para a economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Marcela Kawauti, a liberação dos saques injetará razoável volume de recursos na economia no decorrer dos próximos meses, o que pode contribuir para uma efetiva retomada das vendas. “Esses recursos possivelmente serão utilizados para sanar as necessidades mais urgentes dos consumidores, como pagar dívidas e limpar o nome. Livre dessas despesas, o consumidor poderá retornar ao mercado de crédito, reaquecendo as vendas do varejo”, analisa. Dados oficiais indicam que mais de 30 milhões de trabalhadores têm direito ao saque. No total, quase R$ 44 bilhões devem ser injetados na economia do país. Se todo esse valor for sacado, a projeção do SPC Brasil é de um impacto positivo de até 0,2 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) nacional.





