A recuperação judicial ganhou espaço como instrumento essencial para preservar empresas e empregos no Brasil, mas esbarra na escassez de profissionais qualificados. Segundo levantamento da TMA Brasil (Turnaround Management Association), menos de 10% dos advogados atuam de forma consistente com processos de recuperação judicial no país. A lacuna de formação técnica tem limitado a capacidade do mercado de atender à crescente demanda por soluções estruturadas de reestruturação e renegociação de dívidas.
O alerta é feito por Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista com quase 14 anos de atuação em reestruturação empresarial. Segundo ele, a baixa oferta de cursos práticos sobre o tema contribui para um gargalo profissional que se reflete diretamente no insucesso de muitos processos. “Falta gente preparada para assumir a frente técnica dessas negociações com visão multidisciplinar e foco na viabilidade do negócio. Muitas vezes, empresas que poderiam ser salvas acabam encerrando atividades por erros processuais ou estratégias mal planejadas”, afirma.
Para suprir esse déficit, iniciativas como programas de mentoria vêm ganhando relevância. O objetivo é capacitar profissionais do Direito, Contabilidade e Administração a partir da vivência prática, utilizando simulações, estudos de caso reais e metodologias de negociação com credores, estruturação de planos de recuperação e interlocução com o Judiciário. “A mentoria forma multiplicadores conscientes, que não apenas dominam a técnica, mas entendem o impacto econômico e social da recuperação de uma empresa”, completa Pelozato.






