Com os consumidores cada vez mais exigentes e menos fiéis às marcas, a confiança, transparência e o uso responsável de Inteligência Artificial (IA) se tornaram essenciais para as empresas que desejam construir relacionamentos sólidos e evitar disputas jurídicas. Segundo o 2025 Consumer Trends Report, realizado pelo XM Institute da Qualtrics, os consumidores estão priorizando a confiança e a clareza nas relações comerciais, especialmente em temas sensíveis como a personalização e o uso de dados. O estudo, que ouviu mais de 23 mil pessoas em 23 países, inclusive no Brasil, revelou mudanças significativas nas expectativas dos clientes e lançou luz sobre as áreas em que as empresas devem focar para minimizar riscos de conflitos legais.
Danielle Braga, sócia no Albuquerque Melo Advogados, destaca que o cenário exige uma postura proativa das empresas. “As expectativas dos consumidores nunca estiveram tão altas, e isso traz um risco crescente para as empresas que não conseguem entregar uma experiência consistente”, afirma. Ela explica que mais de 50% dos consumidores abandonam uma marca após uma experiência negativa, o que pode resultar em um aumento de reclamações e até processos. “A recomendação é que as empresas considerem parcerias com especialistas em prevenção de litígios para lidar com casos em que o atendimento interno não seja suficiente. Esse suporte especializado pode fazer a diferença entre uma reclamação resolvida e um processo que gera desgaste para a imagem e o caixa da empresa”, completa.
O relatório também revela que os consumidores estão cada vez mais cautelosos com o uso de IA e a coleta de dados pessoais. Dos entrevistados, apenas 46% se sentem confortáveis com a utilização de IA, uma queda de 11% em relação ao ano anterior. Thaissa Garcia, sócia e Head de Privacidade de Dados, Contratos e ESG do Amelo, destaca que a transparência é essencial para amenizar essa desconfiança. “Em tempos de desconfiança generalizada, especialmente em relação ao uso de IA, é fundamental que as empresas sejam transparentes sobre como coletam e utilizam os dados de seus clientes. Não basta oferecer uma experiência personalizada sem deixar claro para o consumidor como os dados estão sendo utilizados e protegidos”, afirma. Thaissa também recomenda a implementação de uma estratégia robusta de proteção de dados, construída por uma equipe multidisciplinar, para garantir que a comunicação seja lícita, transparente e atenda às expectativas do cliente.






