O avanço do endividamento bancário e do consumo consolidou o cartão de crédito, os empréstimos financeiros e o crediário como os principais fatores de restrição ao crédito no Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, o país passa por um colapso bancário, com crescimento explosivo da negativação em linhas de crédito rotativo e parcelado. O cartão de crédito lidera o ranking dos negativados com 42% das pendências, um aumento alarmante de 18 pontos percentuais frente a 2025. Já os empréstimos em bancos/financeiras (26%, alta de 10 p.p.) e crediários (23%, alta de 11 p.p.) também sofreram elevações, seguidos pelo cheque especial (16%).
O levantamento também mapeou quais são os compromissos financeiros em atraso, mas que não levaram ainda o consumidor à inadimplência: apesar de ser uma prioridade, a telefonia lidera o ranking de contas em atraso (13%), registrando um salto de 6 p.p. em um ano. Empréstimos bancários (12%), cartões, água/luz e IPTU (11% cada) completam o topo das pendências, seguidos por crediários e IPVA (10%).
“O que vemos hoje é o reflexo de um orçamento familiar sufocado, onde o consumidor se depara com a dura escolha de quais contas pagar para manter a dignidade do seu dia a dia. Existe uma hierarquia de sobrevivência muito clara: as famílias priorizam o pagamento da internet, da água e da luz, pois o corte desses serviços traz um impacto imediato na rotina e na capacidade de trabalho. O grande problema reside no fato de que o cartão de crédito e as linhas de financiamento deixaram de ser ferramentas de mera conveniência e passaram a ser utilizados para complementar a renda. Quando esse limite é atingido e os juros começam a acumular, o devedor perde o controle, transformando o crédito bancário no maior gargalo de inadimplência e restrição do país. São dívidas complexas, cujo tempo de atraso sinaliza uma enorme dificuldade de renegociação no curto prazo.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.






