O preço mais baixo continua atraindo consumidores para os sites estrangeiros, mas taxas e demora na entrega reduzem a percepção de vantagem das compras internacionais. Para 41% dos compradores, os tributos de importação são a principal desvantagem desse tipo de operação.
O tempo de entrega aparece na sequência, citado por 36%. O valor do frete, mencionado por 27%, e o risco de fraude, apontado por 24%, completam os principais fatores que tornam a importação menos atrativa.
Os dados fazem parte da pesquisa “Comportamento de compra do consumidor em sites internacionais”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise.
O resultado mostra que a avaliação do consumidor vai além do valor anunciado na página do produto. Embora o preço reduzido influencie 39% das decisões, o custo final pode mudar depois da inclusão de imposto e frete.
A espera também interfere na escolha. Em compras internacionais, o consumidor pode precisar aguardar entre 20 e 30 dias para receber um produto que, em uma loja brasileira, poderia chegar em poucos dias.
Diante dessa diferença, 33% afirmam que pagariam 10% a mais para receber o mesmo item de uma empresa nacional em até três dias. Outros 46% analisariam a situação caso a caso, enquanto 17% prefeririam esperar para economizar.
A disposição de pagar mais pela rapidez revela que a vantagem financeira da importação precisa ser suficiente para compensar o prazo. Quando a diferença de preço é pequena, conveniência e previsibilidade podem favorecer a loja brasileira.
A percepção sobre a tributação também pesa. Para 58% dos compradores, o imposto de 20% sobre as compras internacionais prejudica os consumidores de baixa renda. O resultado indica que parte do público relaciona esses sites ao acesso a produtos mais baratos.
Mesmo assim, apenas 20% afirmam que comprar no exterior ainda compensa plenamente. Para 45%, a operação é vantajosa somente em alguns casos. Isso sugere que o consumidor passou a avaliar cada produto de maneira mais criteriosa antes de concluir o pedido.
A comparação com o varejo nacional faz parte desse processo. Quase metade, 49%, sempre pesquisa o preço do produto em sites brasileiros, enquanto 40% fazem essa verificação algumas vezes.
Além disso, 53% sempre procuram saber se o item desejado está disponível no Brasil. Outros 33% adotam esse comportamento ocasionalmente. A presença de uma alternativa nacional pode pesar principalmente quando oferece entrega rápida, atendimento acessível e maior facilidade para realizar trocas.
Os problemas enfrentados após a compra também afetam a percepção de vantagem. Segundo o estudo, 37% relataram alguma ocorrência na última experiência internacional. Falta de suporte ao cliente, com 12%, e entrega fora do prazo, com 10%, são os problemas mais mencionados.
Ainda assim, o nível geral de satisfação é elevado: 81% se declaram satisfeitos ou muito satisfeitos. O contraste indica que os consumidores reconhecem benefícios nas plataformas internacionais, mas convivem com riscos e dificuldades que entram no cálculo das próximas compras.
Para o varejo brasileiro, taxas e demora representam oportunidades de competição. Empresas nacionais podem não conseguir igualar todos os preços ou a variedade encontrada no exterior, mas têm condições de explorar entrega rápida, suporte local, facilidade de devolução e previsibilidade do custo final.
Quando imposto, frete e espera são adicionados ao preço, a compra internacional nem sempre mantém a vantagem inicialmente percebida. O consumidor continua interessado nos produtos estrangeiros, mas está mais atento ao custo completo e à experiência que receberá em troca.