O prazo de entrega pode ser decisivo na disputa entre lojas brasileiras e sites internacionais. Um em cada três consumidores, 33%, afirma que pagaria 10% a mais pelo mesmo produto em uma loja nacional para recebê-lo em até três dias, em vez de aguardar entre 20 e 30 dias pela entrega de uma plataforma estrangeira.
O dado integra a pesquisa “Comportamento de compra do consumidor em sites internacionais”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise.
A maior parcela dos consumidores, no entanto, ainda não estabelece uma regra única para essa escolha. Para 46%, a decisão seria tomada caso a caso, considerando fatores como o valor da compra, a urgência, a diferença de preço e o tipo de produto.
Outros 17% prefeririam aguardar o prazo maior para economizar. O resultado mostra que, embora o preço continue relevante, uma parcela expressiva dos compradores já atribui valor financeiro à conveniência e à rapidez.
O tempo de entrega aparece como a segunda principal desvantagem percebida nas compras internacionais, citado por 36% dos entrevistados. O fator fica atrás apenas das taxas de importação, mencionadas por 41%, e supera questões como valor do frete, apontado por 27%, e risco de fraude, indicado por 24%.
Para o varejo brasileiro, a logística mais rápida pode funcionar como um diferencial capaz de compensar parte da diferença de preços. Isso ocorre especialmente quando o consumidor precisa do produto para uma data específica, quer evitar incertezas no transporte ou prefere ter maior previsibilidade sobre a chegada do pedido.
A disponibilidade imediata também pode ser relevante em categorias como roupas, calçados, cosméticos e acessórios de moda, que estão entre os produtos mais adquiridos em sites estrangeiros. Em determinadas ocasiões, esperar quase um mês pode reduzir a atratividade de uma oferta, mesmo quando o preço é inferior.
A pesquisa mostra que o consumidor já considera alternativas nacionais durante a jornada. Antes de importar, 53% sempre verificam se o produto está disponível em sites brasileiros, enquanto 33% fazem essa busca algumas vezes.
Além disso, 61% afirmam que comprariam preferencialmente em lojas brasileiras caso encontrassem preços e variedade equivalentes. A entrega mais rápida acrescenta uma vantagem que não depende apenas da redução de preços, mas da capacidade de tornar a experiência mais conveniente.
Ainda assim, a disposição para pagar mais não é ilimitada. O recorte apresentado pelo levantamento considera um acréscimo de 10%, diferença que pode ser entendida como aceitável por parte dos consumidores diante de uma redução significativa no prazo.
Para transformar essa vantagem em vendas, as empresas precisam apresentar com clareza a data estimada de chegada, cumprir os prazos prometidos e evitar custos inesperados no fechamento do pedido. Uma entrega nacional rápida perde valor quando o consumidor encontra informações imprecisas ou enfrenta atrasos.
Os dados indicam que a competição com os sites estrangeiros não se resume à busca pelo menor preço. Para um em cada três compradores, receber o produto em poucos dias já justifica gastar um pouco mais. Para quase metade, a rapidez entra na conta e pode decidir a compra conforme a situação.